|
Álvaro Cardoso Gomes - Sou de Batatais, cidade do interior
paulista, onde nasci em 28 de março de 1944. Mas pouco vivi lá.
Quando eu tinha quatro anos, a família mudou-se pra Lucélia e,
depois, pra Americana. Meu pai era de Patos, na Paraíba, minha mãe,
paulista. Fui uma criança comum, que fazia bastante traquinagem, mas
sempre gostei de ler. Quando pequeno, a coisa mais comum era me
verem com um livro nas mãos. Geralmente, lia livros de aventuras,
histórias de fadas, tudo, enfim, que pudesse alimentar minha
imaginação.
WL -. Quando começou em sua vida o escrever literário?
ACG - Já em São Paulo, para onde me mudei em 1964 para
estudar. Fiz o curso de Letras na USP. Ali, em contato com o que
havia de melhor em Literatura Brasileira e Universal, apurei meu
gosto literário e passei a escrever meus romances e contos. Em
realidade, já escrevia bem antes que isso. Mais ou menos aos 14
anos, descobrira em mim essa “facilidade” pra escrever que depois
fui aprimorando.
WL - O que o levou a estudar Letras? Isto é, o que o
inspirou a ser professor?
ACG - Fui estudar Letras sem nenhuma idéia de que queria ser
professor. Escolhi esse curso porque lá havia Literatura. Pra falar
a verdade, nunca me dei muito bem com as disciplinas de caráter
científico, como Matemática, Física, etc.
WL - Sua obra "De Mãos Atadas" é leitura obrigatória do
vestibular seriado (1ºano) da Universidade Federal de Sergipe,
fale-nos como surgiu a idéia de fazer esse romance.
ACG - Esse romance nasceu de uma espécie de indignação que
sinto por ter que viver num país tão injusto e brutal, num país em
que as classes sociais são tão separadas, provocando o surgimento de
legiões de miseráveis e desfavorecidos da sorte que se entregam, por
sua vez, a uma injusta busca de riquezas, apelando para a
brutalidade, a força. O tema do seqüestro foi-me inspirado por algo
que se tornou bastante banal nas grandes cidades, principalmente em
São Paulo.
WL - Sobre o Álvaro Cardoso da vida pessoal... quais são os
seus autores preferidos (quais deles o senhor apontaria como
influência sobre a sua obra)
ACG -Toda listagem é complicada porque acabará excluindo
escritores que são importantes tanto quanto os de eleição. Mas vamos
lá: Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Drummond de Andrade, Fernando
Pessoa, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Tchecov, Dostoievski,
Flaubert, Borges, etc., etc., etc., etc. – a lista é interminável.
Em suma, qualquer escritor é importante pra mim, desde que me
instigue, que me provoque. Agora, os que me exerceram influência...
sei lá, talvez o Dalton Trevisan, o Rubem Fonseca, o Borges... Mas
deixo isso pros críticos analisarem...
WL - Como gostaria de ser lembrado no futuro?
ACG - Não me importo muito com o futuro, gosto de pensar e de
ser lembrado mais no presente e gosto de ser lembrado assim, sabendo
que tenho leitores fiéis com quem posso compartilhar os produtos de
minha imaginação e a quem posso influenciar na criação de obras
futuras.
WL - Deixe uma mensagem para os estudantes que farão
vestibular analisando sua obra.
ACG - Espero que o livro instigue vocês a terem uma visão
mais consciente da realidade nacional e, ao mesmo tempo, espero
também que a minha escrita possa inspirá-los a produzir textos
instigantes, provocativos. |