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Neste ano, 2.712
vestibulandos que fizeram todo o ensino médio em escola
pública (municipal, estadual ou federal) passaram no
maior vestibular do país, que proporciona o ingresso à
USP (Universidade de São Paulo). Este número corresponde
a 23,7% do total de aprovados -- foram 11.502,
considerando os classificados para a USP e para a
Academia de Policia Militar do Barro Branco, além dos
treineiros.
Na comparação entre os últimos seis vestibulares, o de
2007 teve uma ampliação de 1,9 ponto na porcentagem de
aprovados da escola pública em relação à média dos cinco
exames anteriores, todos eles sem bônus (23,7% contra
21,8%). Trata-se de um aumento de 8,7%.
Já o ganho considerando-se a média geral dos exames de
2002 a 2007 foi de 1,58 ponto (23,7% contra 22,11%).
Isso corresponde a um aumento de 7,14% na fatia
percentual de aprovados de escola pública.
É importante notar que, em termos estatísticos, só se
poderá afirmar que o Inclusp "funcionou" quando houver
uma amostra maior -- vale dizer, mais vestibulares da
Fuvest com o bônus (que neste ano aumentou a nota dos
beneficiados em 3%). Mas essas contas já podem sinalizar
um primeiro efeito da medida.
Ano a ano
Em 2006, sem bônus, os aprovados egressos de escola
pública foram 21,2% do total (2.403).
Em 2005, foram 22,8% de aprovados com esse histórico
(2.532). Já em 2004, o número ficou em 21,5% (2.162); em
2003, 22,5% (2.222); e em 2002, em 21% (1.988).
Estes números, mais os de inscritos e de chamados à
segunda fase em cada um dos anos entre 2002 e 2007,
mostram uma certa estabilidade -- abalada apenas no
exame deste ano.
A quantidade de candidatos oriundos de escola pública
que prestaram Fuvest neste período variou mais em 2002,
2005 e 2006, quando ficou em 34,7%, 39,7% e 42,8% do
total, respectivamente.
Nos demais anos, foi praticamente a mesma: 36% em 2003,
35,9% em 2004 e também 35,9% em 2007.
Os chamados à segunda fase com ensino médio em
estabelecimento público foram 23,1% em 2002, 25% em
2003, 24,3% em 2004, 25,6% em 2005, 23,5% em 2006 e
27,6% neste ano.
Esse salto de 2 pontos percentuais em 2007 em relação à
maior marca anterior no período (a de 2005) também pode
indicar o efeito do bônus na nota. Nesta comparação, o
crescimento foi de 7,8%.
Os dados estatísticos da Fuvest são obtidos por meio de
questionários socioeconômicos, disponibilizados pela
instituição na inscrição para o exame. Mais de 99% dos
candidatos respondem às questões a cada ano.
Análise
Para o professor Renato Pedrosa, do Instituto de
Matemática da Universidade Estadual de Campinas e
coordenador adjunto da Comvest (Comissão Permanente para
os Vestibulares da Unicamp), os números podem, de fato,
sinalizar efeitos positivos da bonificação -- mas há
ressalvas a fazer.
"Como foi utilizada a média dos últimos anos, os números
indicam o impacto do programa, mas são necessários mais
alguns anos para estabelecer uma tendência. Mas note que
isso vai depender fortemente de como vai evoluir a
participação de candidatos da rede pública nas
inscrições", afirmou.
Pedrosa disse que é necessário analisar a relação do
número de aprovados sobre o número de inscritos vindos
da rede pública. "O ideal, que indicaria uma situação de
equilíbrio, é que não houvesse variação: por exemplo, se
35% dos inscritos são da rede pública, 35% dos aprovados
também devem ser. Mas isso ainda não acontece, apesar do
crescimento apresentado neste ano."
O professor lembrou que, na Unicamp, a bonificação é
dada não só para alunos da escola pública mas também aos
que se autodeclaram afro-descendentes. "O impacto na
Unicamp tem sido muito positivo, pois temos mais de 30%
de matriculados nos últimos vestibulares que vieram da
rede pública", comentou.
A Fuvest foi questionada sobre os números, mas ainda não
entrou em contato com a reportagem do UOL Educação.
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