|
Com a intenção de registrar
fatos da história do período eleitoral de Sergipe que
não foram publicados na imprensa local, o colunista do
Portal Infonet Cláudio Nunes lança hoje, 6, o livro
‘Liberdade da Expressão’ (R$20). O evento acontece às
18h30 na Sociedade Semear, localizada na rua Vila
Cristina, 148. Aqui, o autor fala do seu primeiro livro
e conta como o projeto virou realidade.
Portal Infonet – Pelo que sei você sempre atuou em
política. Por quais jornais passou?
Cláudio Nunes – É verdade, desde que me formei atuei na
área de política. Iniciei com editoração da página,
depois em coluna política, escrevi para Bastidores do
antigo Jornal da Manhã, tive outra no Diário de Aracaju,
ambas diárias. Logo depois, tive uma coluna aos domingos
na Gazeta de Sergipe e por último uma diária no Jornal
do Dia. Atualmente, escrevo diariamente para a Infonet,
onde o foco da coluna é política, apesar de sempre
procurar outros assuntos relevantes para diversificar.
Infonet- Você começou a escrever aqui dia 15 de maio
deste ano. Qual publicação teve maior repercussão até
agora?
CN - A repercussão foi surpreendente. Eu vim escrever na
Infonet a convite do seu editor, o jornalista Ivan
Valença, depois de uma demissão intempestiva. Comecei a
coluna timidamente, mas ela foi crescendo rápido. E
chegou a um ponto na campanha eleitoral que eu respondia
cerca de 50 e-mails diários. Este público se sedimentou
e em geral eu respondo cerca de 20 e-mails diariamente.
Infonet - Os comentários dos seus leitores chegam de
todo o país?
CN - Sim, nós temos leitores sergipanos que moram em
Santos, dois nos EUA, Brasília e Argentina que
acompanham quase diariamente a coluna. Sem falar no
interior do Estado que também foi grande a aceitação. O
público maior é a faixa entre de 20 a 30 anos. Um
publico jovem, aquele internauta que em geral não lê
jornal e está plugado.
Infonet - Você costuma responder a todos os e-mails
de seus leitores?
CN - Todos. Um dado interessante é que na campanha
eleitoral havia e-mails de pessoas contrariadas, mas eu
respondia a todos educadamente. E muitos até se tornaram
meus leitores e compreendem que a coluna acabou se
tornando uma ‘válvula de escape’ para diversas
denúncias, já que outros meios de comunicação não
estavam publicando. E parecia que estava tomando uma
certa tendência, mas na verdade não é isso, mas sim
porque outras mídias não publicam.
Infonet - Sentiu muita diferença em escrever para
internet, já que você veio de uma grande experiência em
jornais impressos?
CN- Quando cheguei a conversar com Ivan eu sabia que
teria que enxugar os textos e assim fiz. Mas o mais
interessante é este retorno que temos na internet, o que
não acontece no jornal. No meio de comunicação impresso,
mesmo colocando à disposição do leitor seu e-mail,
raramente ele responde. Já na Infonet, acredito que pelo
leitor já estar lendo a coluna em frente ao computador
facilita responder. E este retorno aumenta até a minha
responsabilidade. E eu digo que este livro não é nem
meu, mas nosso, porque o número de notas que tem nele
que me foram enviadas pelos leitores é grande.
Infonet - Qual o texto publicado no livro que teve
maior repercussão quando publicado no Portal Infonet?
CN- Foram dois relacionados diretamente a pesquisas
eleitorais. As pesquisas foram os temas que manifestaram
um sentimento de maior repugnância por parte dos
leitores. São internautas de diversas faixas etárias e
formação que repudiaram diversas pesquisas publicadas na
imprensa. Teve um artigo chamado ‘Bucha de canhão’ que
teve bastante repercussão e onde nós fizemos até uma
análise de números.
Infonet - Quando surgiu a idéia do livro?
CN - Por volta de agosto alguns leitores começaram a
sinalizar que havia necessidade de deixar marcado na
história esta parte do período eleitoral que não tinha
sido retratada na imprensa de Sergipe. Já que a internet
é algo que fica lá, mas ainda não chega a todos os
públicos e nem é algo palpável para ficar em
bibliotecas, entendi a necessidade do livro. Nele, tem
vários fatos analisados que infelizmente não foram
debatidos na imprensa sergipana, a exemplo do caso da
Deso, pesquisas eleitorais e também envolvendo a própria
imprensa. Um empresário amigo nosso que não quis
divulgar o patrocínio, por causa da sua empresa,
resolveu ajudar e assim conseguimos publicá-lo. Tivemos
também a colaboração da JAndrade, da Infonet e do
publicitário que criou a capa do livro, Marcélio Couto.
Infonet - Quem escolheu as melhores colunas para a
publicação no livro?
CN - Eu escolhi com base nas repercussões junto aos
leitores. Desses 26 artigos, pegamos 15 e pedi para
Edidelson Souza para fazer charges para que o livro
ficasse mais suave. O prefácio é de Luiz Eduardo e Ivan
Valença fez a orelha, nascendo assim 'A liberdade da
Expressão'. Este trocadilho da sílaba ‘da’ e ‘de’ no
título foi proposital. A idéia era levantar o
questionamento do leitor e levá-lo a analisar este lado
da imprensa. A capa é um cadeado semi-aberto que retrata
o que aconteceu no período das eleições no nosso Estado.
Eu acho que deveria se aproveitar para se fazer um
questionamento e uma análise da mídia em Sergipe e no
Brasil. Hoje, vários jornalistas e meios de comunicação
estão pedindo para que haja este questionamento e uma
análise mais profunda sobre o papel na mídia e devemos
aproveitar para fazer aqui também, porque sabemos que
existem jornais que são de políticos mas que nunca
tiveram tanto atrelamento ao governo estadual por conta
de verbas publicitárias.
Infonet – Um livro sempre gera críticas. Você tem
receio?
CN - As críticas virão. Mas a vantagem aqui é que as
principais já ocorreram. O livro não tem objetivo de ser
melhor do que outro qualquer. Ele conta fatos e tem uma
análise pessoal do que ocorreu durante a campanha
eleitoral 2006 em Sergipe. A idéia de só colocar o
período eleitoral foi para registrá-lo, mas a tendência
é aprimorar e todo ano ter um livro com os melhores
artigos. A parceria com a Infonet está aumentando e a
tendência é que o número de leitores também cresça.
Infonet - Então você pensar em escrever outros
livros?
CN- Ainda é cedo para falar nisso, mas eu acredito que o
mais difícil é o primeiro.
Infonet - Sei que você não pode revelar suas fontes,
mas num geral onde você consegue seus furos de
reportagens?
CN - Na campanha eleitoral alguns leitores começaram a
enviar denúncias solicitando que eu não revelasse seus
nomes (a fonte). Muitas delas ligadas a prefeitura e ao
governo do Estado. E por sempre preservar as fontes eu
hoje tenho contatos em diversos órgãos públicos e vários
seguimentos da sociedade. Claro que antes de publicá-las
eu checo a notícia antes.
Infonet – Você recebe críticas dizendo que você é
petista. Qual é sua ideologia política? Você defende ou
é filiado a algum partido?
CN - O único partido que fui filiado e militante foi o
PCB em 1985 quando era estudante. Não este PCB de hoje,
mas aquele que se transformou no PPS. Acho que ninguém
sabe, mas fui presidente- fundador da União
Metropolitana de Estudantes Secundaristas de Aracaju que
completou 21 anos agora. E hoje não sou mais filiado.
Atualmente voto não por ideologia, mas pelo homem, pela
sua capacidade. Está comprovado no Brasil que os
partidos são todos iguais e por isso que eu defendo uma
reforma política e o financiamento público de campanha.
E digo aos leitores que as críticas eles irão sentir a
partir de janeiro. Vai mudar o governo, os nomes, mas a
coluna não irá mudar. Alguns meios de comunicação já
mudaram antes mesmo do governador eleito assumir, mas a
coluna não. O leitor pode cobrar.
Infonet - Como você vê a imparcialidade do jornalismo
sergipano?
CN - Esta palavra é muito complicada, porque a partir do
momento que o ser humano vota e tem que escolher um
candidato já demonstra a imparcialidade. Mas acredito
que você pode chegar a um ponto de não omitir a verdade
ao leitor. Acredito que a coluna cumpriu seu papel neste
período eleitoral, o que vários colegas poderiam ter
feito. E não é porque eu fiz não. A imprensa de Sergipe
tem nomes que podem trabalhar em qualquer lugar do
Brasil, mas por culpa do local onde trabalham ficaram
‘amordaçados’. O que aconteceu é que eu estava no local
certo na hora certa, porque tive liberdade para
escrever, de colocar as denúncias e de não ter ‘nenhuma
perseguição’. Entre aspas, porque não tive perseguição
na Infonet, mas sofri bastantes pressões particulares.
Mas, vou mostrar que não tenho atrelamento ao PT quando
iniciar o próximo governo. |