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1)
Arroz de Coco - O arroz de coco é feito da seguinte maneira:
Prepare o molho do coco como se fosse para feijão e cozinhe o arroz
(meio quilo) nesse molho, com temperos secos e verdes. Não é preciso
escorrer. O arroz de coco participa do Cardápio da Semana Santa,
comido com peixe de água doce ou salgada.
2) Arroz de Hauçá - "Arroz cozido n'água sem sal, ficando com
purê. Come-se com um molho substancial, de sabor incomparável.
Faz-se o arroz branco e ligado, sem outro tempero que não sal. Com
cebolas picadas, frita-se charque gordo, depois de escaldado e
cortado em pedacinhos. Uma vez estando o charque bem tostado,
dispõe-se o arroz na orla de uma travessa e, na cavidade central,
despeja-se o charque frito com a respectiva gordura. Serve-se com o
molho de acarajé. O arroz de hauça "se prepara mexendo com colher de
pau" lembra Gilberto Freyre.
3) Arroz de Leite - O arroz de leite é prato muito comum nas
zonas de criação de gado no Nordeste. Vejamos como ele é feito,
conforme a receita de Socorro Queiroga, de Pombal, Paraíba:
"Ingredientes: arroz, sal e leite. Modo de fazer: Põe-se no fogo,
como se faz normalmente, sendo que com menos água. Quando estiver
quase fervendo, bota-se bastante leite morno, mexendo-se de vez em
quando para não pegar e deixar secar todo o leite, de forma que o
arroz fique com uma nata por cima. Serve-se: a)com carne assada,
feijão verde e manteiga-da-terra, também chamada manteiga-de-garrafa;
b)com carne moída, bastante verdura e ovos cozidos; c) com camboeiro
ou paçoca, feijão verde, no jantar; d)com ovos estrelados na
manteiga-da-terra.
4) Arrubação - Prato muito apreciado no sertão nordestino,
também é conhecido como rubacão. "Faça-se uma feijoada com um quilo
de feijão-de-corda ou mulatinho, pondo-se duzentas e cinqüenta
gramas de charque, a mesma quantidade de carne de porco e de
carne-de-sol e um pedaçinho de toucinho. Coloque alho, cebola,
cominho, pimenta-do-reino, cebolinho, tomate, pimentão, vinagre,
manteiga. Quando estiver tudo cozido, adicione-se duas xícaras de
arroz lavado e escorrido, sempre mexendo para não pegar. Coloque,
então, manteiga-de-garrafa e um pedaço de queijo de manteiga.
Mexe-se tudo e serve-se com galinha de cabidela". Ë um prato de
deixar água na boca...
5) Bolinhos de Goma - "Ingredientes: um litro de goma seca
(polvilho), leite de dois cocos sem água, uma colher de manteiga,
açúcar a gosto, duas gemas de ovos. Recortam-se enfeites com os
dentes de um garfo. Leva-se ao forno quente para assar em
folhas-de-flandres pulverizadas com goma", registra Gilberto Freyre.
Gasta-se tão pouco prá se fazer bolinhos-de-goma que ainda hoje é
comum ouvir-se: (tal mercadoria) "é mais barato do que bolo-de-goma".
6) Bolinhos de Iaiá - "Tomam-se cinco colheres de farinha de
trigo, oito de açúcar, uma de manteiga, quatro ovos, sendo dois com
claras e leite de um coco. Modo de fazer: Bota-se tudo numa vasilha
e depois de tudo bem batido, deita-se em forminhas untadas de
manteiga e vai ao forno", registra Gilberto Freyre. Esses bolinhos
são ainda, uma herança de tradição verbal da civilização do açúcar
no Nordeste.
7) Bolinhos de Milho (seco) - "Deitam-se ovos em uma vasilha,
quantos se queira, uns com claras, outros sem elas, coloca-se
açúcar, canela e erva-doce, tudo em quantidade que parecer
conveniente. Bate-se bem tudo com a colher de pau; após ser batido,
põe-se farinha de milho de modo que a massa fique um pouco mole;
depois lança-se farinha de trigo até endurecer a massa. Após colocar
a farinha de milho, põe-se também uma porção de banha de porco
misturada com manteiga derretida, fazendo-se massa dura como para
biscoitos. Sorva-se bem sobre uma mesa. Estendem-se e arrumam-se os
biscoitos em bacias para irem ao fogo", registra Gilberto Freyre.
8) Bolo de Bacia - "Ingredientes: um quilo de massa de
mandioca bem lavada espremida e peneirada, seis ovos, três xícaras
de leite de coco puro, três xícaras de açúcar, duzentas e cinqüentas
gramas de manteiga. Modo de fazer: Bate-se bem a manteiga com o
açúcar, junte as gemas bem batidas, as claras em neve e o leite de
coco. Mistura-se tudo, bem misturado, batendo-se sempre. Em seguida,
junte a massa. Sal a gosto. Unte a forma com bastante manteiga,
despeje a massa do bolo e leve ao forno quente", receita de dona
Lígia de Souza Leão Maia, do Recife.
9) Bolo de Bacia à moda de Pernambuco - Batem-se doze gemas
de ovos com vinte colheres de açúcar; depois de tudo bem batido,
põe-se meia libra de manteiga, leite de dois cocos e deita-se massa
de mandioca até ficar em boa consistência de assar. A massa deve ser
bem seca.
10) Bolo de Caroço de Jaca - "Ingredientes: duas e meia
xícaras de açúcar, seis gemas e cinco claras de ovos, meia xícara de
manteiga, uma xícara de leite de coco, quatro e meia xícara de massa
de caroços de jaca cozidos e peneirados, de uma jaca bem madura.
Modo de preparo: Bata as claras e ponha as gemas, a manteiga
derretida, o leite de coco e a massa dos caroços de jaca. Forno
quente", receita de Celina Cezário de mello, Recife.
11) Bolo de Nata - "Ingredientes: Uma xícara de nata, duas de
açúcar, duas de leite, duas de farinha de trigo, três ovos, quatro
colherinhas de pó Royal. Modo de preparo: Mistura-se a nata com o
açúcar até ficar como um creme; põe-se o leite e, em seguida, a
farinha de trigo, depois, os ovos bem batidos e, por último, o pó
Royal. Assa-se em forno brando, em forma untada com manteiga"
conforme receita de dona Denise Wanderley Cadete, do Recife.
12) Bolo-De-Rolo Pernambucano - Tomam-se duzentas e
cinqüentas gramas de manteiga, duzentas e cinqüentas gramas de
farinha de trigo, meia lata de goiabada e cinco ovos. Modo de
preparo: Bate-se o açúcar com a manteiga. Depois de bem batido,
vão-se botando os ovos, um a um, e por último a farinha de trigo.
Depois de bater bem, bota-se a massa na assadeira que deve estar bem
untada de manteiga. Tira-se do forno, despeja-se num guardanapo e
deita-se sobre a massa uma camada de doce, que já deve estar
derretido. Enrola-se depressa a massa sobre o doce. Forno quente.
13) Bolo de São João - Bolo este da própria época dos
festejos juninos. Ingredientes: Uma tigela de massa de mandioca
lavada; catorze gemas de ovos, meio quilo de açúcar. Modo de
preparo: Quando estiverem os ovos bem batidos, batem-se cento e
vinte gramas de manteiga e uma xícara de leite de coco sem água.
Junta-se tudo e continua-se a bater até que ligue bem. Vai ao forno
regular numa forma untada com manteiga.
14) Bolo do Diabo - O nordestino fala mais no Diabo do que os
brasileiros de outras regiões do país. O falar e a literatura
nordestinos estão cheios de diabos. (Veja-se, a propósito,
Território da Danação: O Diabo na cultura popular do Nordeste, de
Mário Souto Maior, Rio de Janeiro, 1975.) Até a culinária nordestina
o diabo se faz presente, conforme esta receita de bolo do diabo.
Ingredientes: quatrocentas e cinqüentas gramas de manteiga, meio
quilo de farinha de trigo, três colheres de sopa de chocolate em pó,
cento e vinte gramas de castanhas (de caju?), cento e vinte gramas
de doce de laranja cristalizo, uma colher de chá de bicarbonato, um
cálice de vinho-do-porto, uma xícara de leite de vaca e doze ovos.
Batem-se as dozes gemas e juntam-se ao vinho e ao chocolate, as
claras em neve, os ingredientes secos. Depois de tudo bem misturado,
na hora de ir ao forno, bota-se o bicarbonato dentro do leite. Forma
untada com manteiga Forno brando, até corar.
15) Bolo Engorda Marido - Há umas três décadas atrás, quando
a mulher nordestina era exclusivamente de prendas domésticas, além
de cuidar da família, quase sempre numerosas, procurava, dentro de
suas possibilidades econômicas, enfeitar a mesa com pratos
diferentes, guloseimas tentadoras, verdadeiros pecados de gula para
o marido e os filhos. Desse tempo é esta receita de bolo engorda
marido: Doze ovos batidos como para pão-de-ló, quinhentas gramas de
farinha de trigo, quinhentas gramas de manteiga, leite de cocos
espremidos em um pouco de água morna e uma colher de chá de canela
em pó. Vai ao forno em forma untada com manteiga. Forno quente.
16) Bolo Fino de Massa de Mandioca - Ingredientes: meio quilo
de massa de mandioca, meio quilo de manteiga, meio quilo de açúcar e
bate-se como para pão-de-ló. Outra pessoa deve estar batendo a massa
com a manteiga. Estando tudo bem batido, deitam-se os ovos dentro da
massa e depois de tudo misturado pode ir para o forno.
17) Crista-de-Galo - Ingredientes: água, um ovo, cominho,
pimenta do reino, alho, farinha de mandioca, cebola, coentro e sal.
Modo de fazer: Bota-se a água para ferver, com todos os temperos.
Quando a água levantar a fervura, quebra-se o ovo dentro, sem mexer.
É para ser tomado quente. Para quem gosta de pimenta fica ainda
melhor se triscar com pimenta malagueta. Complementando a receita:
se a pessoa, por motivo de saúde, não puder comer farinha de
mandioca, a mesma pode ser substituída por maisena ou aveia.
18) Crustáceos à Pernambucana - Ingredientes: meio quilo de
siri catado, meio quilo de caranguejo catado, meio quilo de sururu
catado, meio quilo de aratu catado, meio quilo da carne das antenas
da lagosta, meio quilo de camarão sem casca. Modo de fazer: Faz-se
cada um dos crustáceos em molho de coco (cuidado para não ficar com
muito molho), separadamente. Quando todos estiverem prontos,
juntam-se na mesma panela, levando-se ao forno novamente. Quando
começar a ferver, quebram-se dentro quatro ou cinco ovos, mexendo-se
sempre para que os ovos se desmanchem. Ponha algumas azeitonas e, se
gostar, um pouco de pimenta. Depois de pronto, tira-se um pouco do
caldo faz-se um pirão com farinha de mandioca. Serve-se quente.
19) Cuscuz - O cuscuz é de procedência árabe e chegou até
nós, em conseqüência da invasão dos mouros na península ibérica, por
intermédio da colonização portuguesa. Hoje é alimentação que não
falta na mesa dos que habitam a zona rural e até mesmo as grandes
cidades onde, além de cuscuz doméstico, também temos o cuscuz com
leite, vendido bem cedinho, em tabuleiros de flandres. No interior,
as pessoas guardam, depois de secas, as espigas de milho destinadas
ao cuscuz durante o verão. Debulham as espigas, passam os grãos na
pedra para reduzí-los a pó e fazem o cuscuz, colocando a massa num
pano, na cuscuzeira. Forte como todo alimento feito à base do milho,
o cuscuz é feito, também, com coco. Muitos preferem cortá-los em
fatias que depois de ensopadas com leite de coco são polvilhadas com
canela. Outros preferem comer cuscuz com leite de vaca.
20) Dobradinha - Faz-se a dobradinha assim: Ingredientes:
meio quilo de tripa de boi fresca e folha de bucho, uma cebola
grande bem picada, dois dentes de alho bem esmagados, dois e colorau
e duzentos e cinqüenta gramas de feijão branco cozido. Modo de
fazer: Limpe as tripas e o bucho bem limpas, com água, diversas
vezes, e finalmente, com limão, depois do que devem ser cortados em
pedacinhos. Junte todos os ingredientes e faça um refogado, deixando
o feijão branco separado bem como as tripas já cortadas. Em seguida,
bote as tripas no refogado com água e com um pouco de vinagre (uma
colher de sopa) e quando estiver bem cozido junte ao feijão branco,
deixe engrossar e sirva quente.
21) Doce de Abacaxi - A Paraíba é o Estado que mais produz
abacaxi no Nordeste, e os abacaxis pico de rosa, enormes, saborosos
de Goiana, Pernambuco, são famosos. O município de Bom Jardim, em
Pernambuco, chegou a produzir até mais de vinte milhões de frutos
por safra. Áspero, difícil de plantar, limpar, colher (quem trabalha
na plantação de abacaxi tem usar luvas de couro cru, para não se
ferir), o abacaxi é uma fruta que substitui, entre os pobres,
durante sua colheira, a carne. Já foi até chamado de
carne-dos-pobres. Ao natural, como suco, refresco, sorvete, licor,
batida, doce, etc., o abacaxi contribui bastante para alimentação do
nordestino e fala alto na economia da região, apesar de não ser sua
principal exportação. Esta receita de doce de abacaxi foi recolhida
por Gilberto Freyre: "Colhem-se estes frutos quando estiverem
inchados, descasquem-se bem, e depois fervem-se em vinho branco.
Enxuguem bem os abacaxis que devem ser postos em calda de açúcar
comum, e ir ao fogo até estarem cozidos, em ponto bem alto. Depois
retirem o doce do fogo. Algumas pessoas deixam ficar na fruta os pés
com algumas folhas, para aformosear o doce; e isto em nada o altera.
Este doce, se é para compoteira, deve-se cortar, a fruta em pedaços
e ser feito em forno mais ou menos elevado, relativamente à calda".
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