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Segundo dados do CNE
(Conselho Nacional de Educação), cerca de 40% das
pessoas que se formam em cursos de nível superior no
Brasil não atuam profissionalmente na área escolhida. Ou
seja, terminam o curso e, com o diploma em mãos, partem
para outra profissão. Essa realidade, na avaliação de
especialistas em educação e reitores de universidades
federais envolvidos com o debate da Universidade Nova,
ocorre porque o jovem é obrigado a escolher sua
profissão muito cedo e sem conhecimento do mercado de
trabalho.
Proposta
No projeto chamado de Universidade Nova, a formação
superior inicial passaria a ter três anos e seria
dividida em três módulos: o curso-tronco, em que seriam
estudadas as disciplinas de português e línguas
estrangeiras; a formação geral, no qual os alunos teriam
aulas de cultura humanística, artística e científica; e,
por último, a formação específica, em que o acadêmico
escolheria disciplinas mais próximas às suas vocações.
Após os três anos, o aluno receberia o diploma de
bacharel interdisciplinar. Esse profissional teria o
curso de nível superior e poderia seguir no mercado de
trabalho e prestar concurso público, por exemplo. Além
disso, o estudante poderia optar por continuar os
estudos fazendo uma pós-graduação em uma profissão
específica, como advogado ou médico.
Algumas universidade já adotaram o novo modelo de ensino
superior. É caso da Universidade Federal do ABC, em São
Paulo, que oferece a formação em bacharelado
interdisciplinar em ciência e tecnologia. Outras 17
universidade federais estão avaliando a proposta e três
delas estão colocando a idéia em prática, como a Federal
do Piauí, a Universidade de Brasília e a Universidade
Federal da Bahia.
Opiniões
Segundo o reitor da UFBA (Universidade Federal da
Bahia), Naomar Monteiro Filho, o projeto consiste em as
universidades perderem o caráter de escola profissional
e assumirem o de instituição da cultura. De forma
prática, a proposta prevê, principalmente, mudanças na
forma de ingresso às universidades e na grade curricular
dos cursos.
Para o reitor da UnB (Universidade de Brasília), Timothy
Milholland, com o modelo da Universidade Nova os alunos
teriam, aos poucos, mais informações para a escolha da
carreira que querem seguir.
Segundo Milholland, essa será a tendência para os
próximos anos. "O século 21 não será das profissões, mas
sim do conhecimento. E é isso que temos que oferecer aos
jovens".
Com informações da Agência Brasil |