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Wagner
Lemos - Conte um pouco de sua trajetória de vida, onde nasceu,
onde cresceu, o que estudou, dentre outras coisas.
Ivan Jaf
- Nasci e
estudei aqui na cidade do Rio de Janeiro. Fiz duas faculdades
(jornalismo e filosofia) mas não completei nenhuma delas. Aos 19
anos fui para a Europa e vivi por lá uns 3 anos, até voltar e
começar a escrever, e não parar mais.
WL -
Como você se tornou escritor?
Ivan
- Me
apaixonando por uma máquina de escrever usada que vi numa feira de
antiguidades, em Londres.
WL -
Qual o seu primeiro livro e do que falava?
Ivan -
Eu precisava
fazer alguma coisa com a máquina, e comecei a escrever poemas. Meu
primeiro livro foi uma seleção desses poemas, que vendi nos bares e
calçadas. Eram poemas filosóficos, existenciais.
WL -
Sua obra abrange também quadrinhos, fale um pouco desse lado da sua
carreira.
Ivan
- Como eu
precisava ganhar dinheiro, comecei a escrever roteiros para
histórias em quadrinhos, de terror. Descobri que tinha muita
facilidade em visualizar e descrever cenas. Escrevi muitas
histórias, por vários anos. Além do terror, ficção científica, em
revista do Brasil e da Itália.
WL -
Como surgiu a história de “O Vampiro que Descobriu o Brasil”? Em que
você se inspirou?
Ivan
- O Vampiro surgiu da necessidade de contar os 500 anos do Brasil
visto por um único personagem. Ele precisava ser imortal.
Acho
que me inspirei em tudo que já li e assisti sobre os vampiros.
WL -
Atualmente está a se rever o papel de Tiradentes na Inconfidência
Mineira, pois segundo dizem, ele não foi líder mas um bode
expiatório para livrar outros. Por que você optou, neste caso,
acompanhar uma versão mais tradicional da história?
Ivan
- Tenho para mim que Tiradentes acreditava no que estava fazendo, e
era um ativo e carismático agitador. O que não o impediu de se
tornar um bode expiatório no final, quando seus companheiros da
elite optaram por fazer "acordos". Como um lado precisava fazer uma
vítima, como exemplo, e o outro queria um mártir...
WL -
Você teve receios ao citar por nominalmente ou nas entrelinhas
personagens da história recente do Brasil, tais como Tancredo Neves,
José Sarney e Marco Maciel? Pensou em possíveis represálias da
família (no caso de Tancredo) ou dos próprios políticos?
Ivan
- Por um lado
tive receio, sim, pois citar nomes daria condições aos envolvidos de
moverem processos. Mas também pesou o fato de que, como acredito que
a Arte dura mais do que a Política, não queria dar aos citados a
chance de serem lembrados no futuro através de um livro meu.
WL -
Segundo Ivan Jaf, há relação entre vampirismo e a política
brasileira? Caso sim, qual?
Ivan
- Ambos vivem de chupar sangue.
WL
-Deixe uma mensagem para os estudantes sergipanos que estudarão “O
Vampiro que Descobriu o Brasil” no vestibular.
Ivan -
Eu quis
passar em revista a história do Brasil nesses últimos 500 anos, de
uma maneira crítica e, espero, divertida, como um incentivo a que os
leitores se aprofundem mais no assunto. Eu acredito que saber sobre
a História do homem branco nestas terras faz a pessoa querer mudar
as coisas, tentar impedir que elas não se repitam. Enfim, forma
revoltados. E é com revolta que se progride. |