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Durante as discussões para
a implementação do bônus a estudantes da escola pública,
a Fuvest alertou a reitoria da USP para o perigo de a
medida causar contestações judiciais. Mesmo assim, o
projeto foi aprovado e vale já para o próximo processo
seletivo.
A Fuvest é a fundação que organiza o vestibular da
universidade e é vinculada à reitoria. O problema
apontado pela fundação é que, pela primeira vez desde a
criação do exame, em 1977, os candidatos não serão mais
tratados de forma igualitária na prova --quem estudou em
escola pública terá um acréscimo de 3% na nota da
primeira e da segunda fase.
No entendimento da Fuvest, um candidato que fez o ensino
médio em escola particular e ficou fora da lista de
aprovados poderá se sentir discriminado e contestar o
vestibular.
"Era nosso dever alertar a reitoria", disse à Folha
Roberto Costa, um dos coordenadores do exame, que falou
ontem sobre as mudanças na prova em um congresso de
educação, promovido pelo sistema COC de Ensino. "Mas não
houve atrito com a reitoria. Nosso papel é executar o
que o reitor pede. É claro que eles já conheciam esse
risco."
Apesar da possibilidade de contestação, Costa diz não
acreditar que isso possa causar problemas graves. "O
aluno que se inscreveu no exame aceitou as regras da
prova."
Na Unicamp, que concede pontos a alunos de escola
pública desde 2004, não houve contestação até agora,
afirma o coordenador-executivo do vestibular, Leandro
Tessler.
A pró-reitora de graduação da USP, Selma Garrido
Pimenta, foi procurada pela reportagem, mas não retornou
até a noite de ontem.
Eleição
A inclusão de alunos da rede pública na USP foi a
principal bandeira de campanha da atual reitora, Suely
Vilela, eleita no ano passado. Ela pretende diminuir a
desigualdade entre o número de alunos no ensino médio
público (85%) e a quantidade desses estudantes que
conseguem ingressar na USP (cerca de 25%).
O bônus de 3% foi a ação mais visível de um pacote
lançado em maio pela reitora para diminuir a
disparidade. Segundo simulações da instituição, o número
de aprovados da rede pública deverá ser elevado para
30%. Outras mudanças foram a diminuição no número de
perguntas na primeira fase (de cem para 90) e a reserva
de nove questões de formulação interdisciplinar (que
envolve mais de uma disciplina).
O programa foi aprovado pelo Conselho Universitário
(órgão máximo da instituição), com 79 votos a favor,
dois contra e seis abstenções. Mas as mudanças causaram
polêmica. Quase cem docentes, incluindo nomes como
Henrique Fleming e Eunice Ribeiro Durhan, assinaram um
texto em que criticavam a "falta de definição clara das
regras do vestibular". |