Homenagem ao Bibliógrafilo José Mindlin

Para homenagear um dos maiores bibliófilos do mundo e maior do Brasil, colocamos à sua disposição, caro leitor textos sobre essa ilustre figura, José Mindlin.

Paixão e perdição

A relação dos homens com os livros, em particular a dos bibliófilos, aqueles que por eles se apaixonam, passa por três estágios. Primeiro, os homens pensam que conseguirão ler um número de livros maior do que de fato é possível. Num segundo estágio, conseqüência imediata do primeiro, passam a desejar ter em mãos o maior número possível de obras dos autores de quem gostam. Num terceiro momento, já siderados, surgem o interesse pelas primeiras edições, geralmente raras, e a atração pelo livro como objeto de arte. Esta última fase é definida pelo mais célebre bibliófilo brasileiro, o empresário paulista José Mindlin, como perdição. "Quando se chega a esse estágio, aquele que pensava em ser na vida apenas um leitor metódico está irremediavelmente perdido", confessa Mindlin. A patologia – doce patologia – está instalada em definitivo. Essa tese é defendida logo na abertura de Uma vida entre livros – reencontros com o tempo (Edusp-Companhia das Letras, 214 págs. R$ 42), texto confessional e ao mesmo tempo uma espécie discreta de autobiografia intelectual, em que o bibliófilo conta a história de sua paixão pela literatura.

Uma vida entre livros é uma obra desavergonhadamente derramada, sincera, até um pouco exagerada às vezes, como se passa quando se confessa uma paixão. Nele, Mindlin deixa de lado a vida mais crua do mundo empresarial e se dedica a entregar aos leitores, sem nenhuma pose de literato, pequenos tesouros íntimos. José Mindlin é, pode-se afirmar, o grande amante dos livros no Brasil. Sua biblioteca particular em São Paulo, ele mesmo estima, tem hoje 30 mil volumes, dos quais dez mil são raros e dois mil, raríssimos. Mindlin começou a comprar livros aos 13 anos. Nessa idade, ele já tinha lido obras como a História das religiões, de Salomon Reinach, e as Letras e narrativas, de Alexandre Herculano. Desde 1927, lá se vão 70 anos, o empresário tem o hábito de frequentar sebos. Uma única regra o guiou na construção de sua esplêndida coleção, o prazer da leitura. "O que não gosto, e raramente acontece, é de ler por obrigação", diz. Mesmo diante daqueles títulos raros que sempre desejou e nunca conseguiu comprar, é o prazer, e não a cobiça, que o move. Ainda há muitos desejos insatisfeitos. Um deles é adquirir a primeira edição de Cultura e opulência do Brasil, de Antonil, publicada em 1711. Chegou a tê-la um dia nas mãos, mas não conseguiu comprá-la.

O empresário ensina que a mais importante qualidade de um bibliófilo não é a fortuna, ou a erudição, mas a paciência. Ele relata, para os que duvidarem, a difícil história que viveu com a primeira edição de O guarany, de José de Alencar, de 1857. O livro – que é hoje um dos tesouros de sua biblioteca – foi oferecido a amigos do empresário, nos anos 60, por um grego, que pedia por ele algo como US$ 1.000. Para desespero de Mindlin, que só veio a saber da oferta depois, nenhum dos amigos se interessou. Dez anos depois, a primeira edição da obra apareceu no catálogo de um leilão de raridades na Inglaterra. Ele fez a encomenda a um livreiro londrino, que acabou deixando o livro escapar porque o achou caro demais. Em 1977, Mindlin foi a um leilão de livros raros em Paris e lá soube que O guarany estava disponível. Na viagem de volta, já com seu tesouro no colo, pelo qual pagou muito mais do que o preço original, Mindlin pegou no sono. Ao desembarcar, não se deu conta de que deixara o livro caído no tapete do avião. A Air France o achou, três dias depois, em Buenos Aires. Foi preciso esperar mais alguns dias até o volume chegar, são e salvo, a seu destino definitivo.

No final Mindlin ainda elenca seus autores preferidos, entre eles Balzac, Tolstói, Cervantes, Sterne e Virginia Woolf. A experiência o leva a dar bons conselhos. Em matéria de livros, garante, cada um deve ser capaz de fazer suas próprias escolhas. O leitor deve se permitir passar de Machado a Astérix ou de Shakespeare a Agatha Chirstie. O importante é o prazer da leitura. Tanto que resume seus sentimentos com uma frase: "Num mundo em que o livro deixasse de existir, eu não gostaria de viver."

"Paixão e perdição" - Texto de José Castello, para ISTO É, 12/11/97
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O guardião de relíquias


José Mindlin, o maior bibliófilo do país, expõe ao público sua coleção de gravuras

Michelangelo, além de genial, era um ingrato - ao menos com o papa Júlio II, o mecenas responsável pela encomenda dos afrescos que adornam o teto da Capela Sistina. No século 16, houve entre seus contemporâneos quem reconhecesse o semblante do papa entre as infelizes criaturas que expiavam culpas no Juízo Final, na mesma Sistina. Antes e depois disso, muitos mecenas fizeram por merecer melhor recompensa. É o caso, para ficar num exemplo próximo a nós, do ex-empresário José Mindlin, promotor de mais de duas dezenas de manifestações culturais, principalmente livros, e amigo de gente graúda no meio artístico. Foram tantas as gravuras e matrizes com que artistas agradecidos lhe presentearam que, com muitas outras adquiridas por ele ao longo de 84 anos de vida, deu para montar a exposição Os Colecionadores - 1998, com cerca de 750 peças de 67 autores diferentes. E ainda sobrou quase outro tanto.

Entre modesto e franco, Mindlin avisa que o acervo não chega a ser propriamente uma coleção, embora inclua trabalhos dos principais nomes do país no gênero: Lasar Segall, Oswaldo Goeldi, Lívio Abramo, Fayga Ostrower e Maria Bonomi, entre outros. Não chega, porém, a formar um "todo coerente", como diz Mindlin, ao contrário de seu outro tesouro - a biblioteca. Aos livros, o ex-dono da Metal Leve e o maior bibliófilo do país destina duas alas de sua casa, em São Paulo, além de dois imóveis vizinhos inteiros. Suas estantes acomodam cerca de 26 mil títulos, dos quais 10 mil em edições raras, datadas desde o século 15.

Ausente da mostra Os Colecionadores estará, por ser estranha ao tema e ao mundo da gravura, a obra talvez mais reveladora da personalidade de Mindlin. Permanecerá em lugar nobre de uma estante na sala principal da biblioteca, guardada por anjos e santos barrocos que espreitam das paredes, ao lado de telas de Tarsila, Segall e de uma madonna peruana. De encadernação austera, ela leva na lombada o nome de Guita Kauffmann, não por acaso o nome de solteira da senhora Mindlin. Ao toque adestrado do marido, uma parte do que seria a capa desliza e deixa à mostra um engenhoso mecanismo, concebido por ele, dotado de pés basculantes e travas. Em instantes transforma-se em um descanso para pés. Foi um presente, nos anos 30, do então estudante da Faculdade de Direito do Largo São Francisco à colega, namorada e futura esposa, queixosa de sua baixa estatura, que a deixava com os pés no ar quando se sentava à carteira.

O episódio antecipava alguns dos atributos que esse filho de imigrantes russos iria lapidar no futuro, como criatividade, espírito empreendedor, determinação e arrojo, além da obsessão por livros. Da impetuosidade, Guita tivera prova ao pisar pela primeira vez na faculdade, como caloura. Tão logo chegou, os veteranos passaram a assediá-la na tentativa de conquistar sua adesão para um dos partidos políticos da época. Testemunha da cena, Mindlin tomou a frente e lançou seu mel, dizendo-se o melhor partido que a jovem poderia encontrar. A liga combinou. Desde então, ela tem sido sua parceira incondicional, até na paixão pelos livros - a ponto de tornar-se a encadernadora oficial da casa - e pela arte. Com freqüência, foi graças a seu incentivo que ele resolveu desembolsar pequenas fortunas para ter alguma relíquia impressa na estante.

Formar uma biblioteca como a de Mindlin é obra de uma vida inteira e resultado de muito conhecimento, paciência e esforço, sem falar em dinheiro. A pedra fundamental dessa Alexandria dos trópicos foi lançada quando ele tinha 13 anos e comprou o Discurso sobre a História Universal, de Jacques Bossuet, em edição portuguesa do século 18. Mas foi só no ano seguinte que a comichão de colecionador se apossou dele, despertada pela História do Brasil, de Frei Vicente do Salvador, presenteada por uma tia. Sobre ela, edificou-se a maior brasiliana conhecida - mais completa até que a da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, atesta Pedro Correa do Lago, um dos principais livreiros do país.

O conjunto inclui desde manuscritos dos Sermões do Padre Vieira a edições originais de relatos das primeiras viagens de cunho científico pelo Brasil, como a de Hans Staden; das cartas de dom Manuel ao papa aos originais revistos de Grande Sertão: Veredas e Sagarana, de Guimarães Rosa, e de dezenas de grandes obras da literatura brasileira. Mais prático do que relacionar uma a uma, dizer que faltam apenas duas obras importantes na brasiliana dá a medida de sua abrangência: História da Província de Santa Cruz, de Pero de Magalhães, e Cultura e Opulência do Brasil, de Antonil. Esta, em edição de 1711, de uma família francesa radicada no Rio de Janeiro e disposta a vendê-la, chegou a ser manuseada por Mindlin. Mas, por influência de um antiquário que intermediava o negócio, foi parar em outras mãos. Seus antigos donos teriam recebido US$ 3 mil pelo livro. Mindlin afirma que teria pagado dez vezes mais.

Em todo caso, ele não perde o sono pelas lacunas. Mas também não espera que uma raridade lhe caia no colo. No ano passado, informado de um colecionador uruguaio interessado em vender um lote enorme de documentos originais sobre a Província Cisplatina, foi até Montevidéu e voltou de lá carregando 96 quilos de papéis sobre o Brasil. Teve de emprestar duas malas de nosso corpo diplomático - as duas que levara de casa se mostraram insuficientes. A documentação só agora terminou de ser tombada por uma professora, Cristina Antunes, braço direito de Mindlin há dez anos.

Viajante contumaz, ele organiza seus périplos segundo as conveniências da biblioteca. Em 1973, por exemplo, convidado a participar das comemorações do 25o aniversário da criação de Israel, ele introduziu no roteiro uma escala na Suíça ao descobrir a existência de um manuscrito jesuíta sobre a Bahia do século 17. Ao desembarcar com ele na bagagem em Israel, despertou a atenção de uma agente alfandegária. Intrigada, quis saber do visitante o conteúdo dos papéis e, após ouvir uma explicação minuciosa, não resistiu à tentação de perguntar: "O senhor sempre faz essas anotações quando viaja?"

Foi a primeira e última vez que Mindlin, um judeu, esteve em Israel. Não que ele seja anti-sionista. Pelo contrário, acha importantíssima a acolhida dada por Israel aos judeus perseguidos em outras partes do mundo. Mas também não concorda com a tese de subordinar a Israel aqueles que escolheram viver fora de lá. Além do que é um agnóstico assumido e rejeita os dogmas religiosos do judaísmo, embora se sinta ligado ao povo hebraico por laços culturais. Por isso, é visto com reservas pela ala mais ortodoxa da comunidade judaica no Brasil.

A biografia de Mindlin indica que ele não tem medo de cara feia. Aos 84 anos, também se dá ao direito de dizer o que pensa sem se preocupar com melindres, embora com delicadeza. Dias atrás, por exemplo, recebeu em sua casa a visita de uma jovem editora. Logo na chegada, ela lhe entregou o exemplar número 1 do primeiro livro que publicava. Mindlin, que não a conhecia, leu a dedicatória e pediu licença para observar: não fica bem colocar o carimbo "Cortesia do editor" em livro oferecido, uma regra no Brasil. A jovem, parece, aprendeu a lição.

Títulos recentes, com cheiro de best-seller, têm escassa chance de inclusão no rol de 80 a 100 livros que, em média, Mindlin lê por ano, incluindo-se as releituras. Só o colossal Em Busca do Tempo Perdido, de Proust, por exemplo, ele devorou cinco vezes, em edição original. Os clássicos, diga-se, formam outro sólido pilar de sua biblioteca, forrada com Petrarcas, Camões, Joyces etc. Natural, portanto, que não passe um só dia, quase, sem que um pesquisador, jornalista ou editor percorra aquelas estantes em busca de material para trabalhos pessoais. Mindlin fica feliz. Como costuma dizer, ele é apenas o guardião do tesouro, e não o seu dono.

"O guardião de relíquias" - Texto de Nelson Letaif, para ÉPOCA ONLINE
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José Mindlin: O guardião dos livros

Uma loucura mansa. É assim que o bibliófilo José Mindlin define sua paixão pelos livros. Por amor a eles, é capaz de passar 20 anos atrás de um exemplar raro, como aconteceu com a primeira edição de O Guarany, de José de Alencar. A obsessão começou quando era menino e hoje, aos 85 anos, está expressa numa imensa biblioteca particular de mais de 30 mil volumes que não pára de crescer. Tanto que o prédio construído especialmente para ela já não basta. Mindlin aluga dois imóveis perto de sua casa para abrigar os livros excedentes. Um terço dessa coleção gigantesca é formada por obras raras, garimpadas em livreiros e sebos do mundo inteiro, muitas vezes às custas de estratégias mirabolantes para consegui-los. Há desde a primeira edição de Os Lusíadas, de Luís de Camões, a manuscritos como o Livro das Horas, um pergaminho de 1480. E também originais de livros como Olhai os Lírios do Campo, de Érico Veríssimo, com correções à mão do autor. Tal é a amplitude da biblioteca de Mindlin, que o Museu Lasar Segall, em São Paulo, vai inaugurar no próximo dia 3 de outubro uma exposição dos 110 exemplares mais representativos da coleção.

José Mindlin nunca se considerou proprietário dos livros que tem. Para ele, uma biblioteca é sinônimo de preservação de cultura, que não tem dono. Aliás, o bibliófilo acaba de assinar um acordo com a Universidade de São Paulo, doando a parte mais extensa de seu acervo, batizada por ele de "Brasiliana", que reúne apenas livros sobre o Brasil. O contrato prevê a construção de uma biblioteca de 10 mil metros quadrados para abrigar o tesouro em pleno campus. Assim, estudantes e pesquisadores terão acesso a preciosidades como a História Geral do Brazil, de Varnhagen, publicada em 1876, ou as Viagens de Hans Staden, de 1557. Mesmo diante de tal gesto, Mindlin faz questão de salientar que a biblioteca nunca pertenceu só a ele, mas também a Guita, sua mulher, que é restauradora de livros.

Apesar dos anos de garimpagem, Mindlin não se define como um colecionador, mas, antes de tudo, um leitor inveterado. "Estou sempre com um livro na mão", conta. "Sou um leitor que passou a bibliófilo." A leitura foi a origem de sua vasta coleção, com os livros sendo adquiridos um a um. Mas como Mindlin interessa-se pelos mais variados assuntos — ficção, poesia, teatro, biografia, ensaio, relato de viagem, para ficar em alguns —, a biblioteca cresceu "indisciplinadamente", como ele gosta de frisar. A busca de obras raras surgiu tempos depois.

A passagem de leitor para bibliófilo se deu quase imperceptivelmente, mas logo se transformou num caminho sem volta. Ele explica que o ponto inicial desse processo pode ser um escritor de quem se gosta: "O desejo de ter todos os livros deste autor já é o começo de uma coleção", argumenta. "Aos poucos, vai surgindo o interesse pelas primeiras edições, as encadernações, as tipologias, ou seja, a atração do livro como objeto. Chega-se então à busca de raridades. Nesse ponto, o leitor já está irremediavel mente perdido. Foi o que aconteceu comigo. Dei-me conta de que era uma doença incurável, mas, ao contrário das outras, só me fazia bem. Por isso, nunca me preocupei."

Achados e perdidos
O primeiro livro raro adquirido por Mindlin foi Discurso sobre a História Universal, de Bossuet, de 1740, quando ele era ainda um garoto de 13 anos. A experiência de bibliófilo, entretanto, acabou mostrando que não bastava um livro ser antigo para ser raro. Outros fatores contam também, como o conteúdo da obra, o valor histórico, a tradução, as ilustrações e até curiosidades como dedicatórias e erros tipográficos (...). "Há livros modernos mais difíceis de encontrar do que muitas obras de séculos atrás", garante Mindlin. Mas encontrar um exemplar raro, depois de anos de busca incessante, é a maior glória de um bibliófilo, que precisa lançar mão de alguns subterfúgios para ser bem-sucedido. Uma regra básica é nunca demonstrar emoção diante do livreiro. Isso pode fazer com que o preço de um exemplar chegue às alturas. Outra estratégia é sempre pechinchar. Se bem que, em alguns casos, "a gente vende um imóvel e compra o livro", prega Mindlin. "Dinheiro a gente recupera, mas um livro raro, não."

Há muitas dessas histórias por trás das estantes da vasta biblioteca. Entre as mais curiosas está a aquisição da primeira edição de O Guarany, de José de Alencar, publicada em 1857, pela qual o bibliófilo esperou 17 anos. A primeira notícia que teve sobre a obra foi na década de 60, quando um grego, no Rio de Janeiro, chegou a oferecê-la por mil dólares. Mindlin soube disso tarde demais. O grego já havia desaparecido. Persistente, passou dez anos atrás do exemplar, até que ele reapareceu num leilão na Inglaterra. Mindlin, imediatamente, encarregou um livreiro amigo de arrematá-lo. De novo, a sorte não ajudou. Quando o livro alcançou 60 libras, o amigo resolveu desistir, pensando que Mindlin achasse o preço excessivo. Só em 1977, o bibliófilo conseguiu realizar o seu sonho, adquirindo O Guarany em Paris, num leilão de livros raros sobre o Brasil. Para isso, teve que travar um verdadeiro embate com o grego, que, então, já pedia pelo livro muito mais do que havia oferecido no Rio. Mas a proeza não termina aqui. Na volta para o Brasil, Mindlin veio com a raridade no colo e acabou perdendo-a no avião. Só três dias depois o livro reapareceu. Tinha ido parar em Buenos Aires.

Apesar das muitas façanhas com final feliz, Mindlin guarda algumas frustrações. A maior delas foi não ter comprado a primeira edição de Cultura e Opulência do Brasil, de Antonil, publicada em 1711, embora a oportunidade tenha aparecido uma vez. Até hoje ele se arrepende disso, pois nunca mais teve outra chance. "Há momentos que não se pode hesitar", explica. "É melhor arrepender-se de ter comprado, do que ter deixado de comprar." Outro velho sonho é possuir um livro de Marcel Proust autografado ou com anotações do próprio escritor. "Mas uma raridade dessas atinge preços tão elevados que não tem cabimento pagar", pondera. "A gente não pode ser escravo do livro a ponto de fazer grandes loucuras." Depois de uma pequena pausa, Mindlin completa: "Pequenas loucuras, sim".

"José Mindlin: O guardião dos livros" - Texto de Cláudio Fragata Lopes, in Galileu/Globo


Bibliografia indicada por Mindlin:

A escolha de Mindlin
1.Machado de Assis: Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas. "De contrabando, os contos."
2.Graciliano Ramos: Vidas Secas e São Bernardo

3.José Lins do Rego:Menino de Engenho

4.Raul Pompéia: O Ateneu

5.Guimarães Rosa: Grande Sertão: Veredas. "Mas com Sagarana e Corpo de Baile como preparação."

6.Erico Veríssimo: O Tempo e o Vento

7.José de Alencar: Cinco Minutos e A Viuvinha. "Têm mais força que O Guarani."

8.Manuel Antonio de Almeida: Memórias de um Sargento de Milícias

9.Mário de Andrade: Macunaíma
 

 
 

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